O QUE SE FAZ COM A PSICANÁLISE?
MODOS DE CIRCULAÇÃO DE UM SABER EM DISSERTAÇÕES DE MESTRADO
DOI:
https://doi.org/10.69609/2176-8625.2026.v32.n3.a4355Resumo
O presente artigo analisa os modos de circulação, inscrição e legitimação da psicanálise em dissertações de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Universidade de Taubaté, ao longo de seus 30 anos de funcionamento. Inscrito na Análise do Discurso de filiação pecheuxtiana, o estudo parte do pressuposto de que os saberes não circulam como conteúdos estáveis, mas produzem efeitos de sentido conforme as condições de sua mobilização no discurso acadêmico. O corpus foi constituído a partir de dissertações defendidas entre 2013 e 2018, selecionadas com base em critérios teórico-metodológicos e analisadas por meio de sequências discursivas extraídas de seus textos. A análise permitiu identificar cinco modos de inscrição da psicanálise (ausente, periférica, implícita, moderada e forte) definidos a partir de seu lugar no texto, de sua função na organização da análise e dos efeitos discursivos que produzem. Os resultados indicam que a psicanálise não ocupa um lugar estável no Programa, variando entre sua incidência como eixo estruturante e sua neutralização como operador teórico. Tal heterogeneidade mostra que o estatuto desse referencial não decorre de uma exigência do campo, mas se constitui no interior de escolhas teórico-metodológicas específicas. Por fim, discute-se a tendência recente de rarefação da psicanálise no corpus, apontando possibilidades de sua rearticulação em pesquisas futuras.




