“CHAVES É MELHOR DO QUE FRIENDS”
PERFORMATIVIDADES DISCURSIVAS EM PAISAGENS SEMIÓTICAS
DOI:
https://doi.org/10.69609/2176-8625.2026.v32.n1.a3834Resumen
Neste artigo é apresentado um estudo sobre paisagens semióticas tomando por base uma pichação localizada na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e uma conversa em grupo de WhatsApp de estudantes da própria instituição. É desenvolvida uma reflexão acerca dos efeitos sociais de sobreposição cultural e sobre como o texto pichado é também uma ruptura com o discurso colonialista e imperialista que tende a privilegiar tudo aquilo que vem dos Estados Unidos, em detrimento do que vem do sul global (ainda que este sul, por armadilha da geografia, esteja no hemisfério norte). Além disso, discute a validade da afirmativa do texto pichado, sobretudo, a sua natureza ilegal e subversiva. Endossado no princípio de processos escalares (CARR; LEMPERT, 2016) como formas de contextualização que forjam os contextos, e da indexicalidade de Silverstein (1996, 2009), o artigo observa estratégias concretas para desfazer e desnaturalizar a ordem indexical política e culturalmente normalizada como um exemplo de prática de esperança (BLOCH, 1996). As estratégias implicam em examinar, nos detalhes semióticos das interações, a formação histórica do discurso metapragmático que organiza uma ordem indexical e em historicizar aquilo que pretende ser a significação fundacional. Dessa forma, partindo da perspectiva de que a memória não consiste em mero reflexo de experiências passadas, nestas reflexões, é concebida como uma prática performativa produtora de narrativas e que influenciam ações.
Palavras-Chave: Paisagens semióticas; Indexicalidade; Ideologia linguística; Pichação.




