ENTRE HUMANOS E MÁQUINAS:
DISCURSOS E NARRATIVAS PRODUZIDOS PELA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
DOI:
https://doi.org/10.69609/2176-8625.2026.v32.n2.a4179Resumen
As transformações tecnológicas das últimas décadas tornaram a Inteligência Artificial (IA) um dos principais agentes discursivos do nosso tempo. Modelos generativos, como assistentes de escrita, chatbots e sintetizadores de voz, produzem textos, respostas e narrativas que simulam autoria humana, desafiando fronteiras entre linguagem, sujeito e tecnologia. Este trabalho tem como objetivo refletir sobre a produção de discursos e narrativas por sistemas de IA, problematizando os modos como essas tecnologias constroem sentidos e instauram novas formas de interação linguística e cultural. Fundamenta-se em aportes dos estudos discursivos e da Linguística Aplicada crítica (Fairclough, 2003; Pennycook, 2018; Moita Lopes, 2006), articulados às discussões sobre linguagem e técnica (Floridi, 2015) e às análises contemporâneas da cultura algorítmica (Han, 2022; Santaella, 2020), que problematizam os modos de produção de sentidos mediados por código e cálculo. A metodologia é de caráter teórico-analítico, pautada em revisão bibliográfica e na observação de discursos gerados por IA em diferentes mídias digitais, com foco em interações que simulam conversas humanas e na emergência de textos híbridos, que mesclam escrita humana e automatizada. As reflexões indicam que a IA não apenas reproduz padrões linguísticos, mas também cria efeitos de sentido e de subjetividade, instaurando vozes que, embora artificiais, participam da construção simbólica contemporânea. Essa produção discursiva automatizada tensiona noções tradicionais de autoria, intencionalidade e responsabilidade, exigindo novas formas de leitura crítica e ética das textualidades digitais. Defende-se que compreender a IA como produtora de discurso exige leitura crítica capaz de analisar e ressignificar sentidos emergentes entre humanos e máquinas contemporâneas.




