PIXAÇÕES EM BELÉM:
NARRATIVAS DE RESISTÊNCIA NA AMAZÔNIA À LUZ DA ANÁLISE DIALÓGICA DO DISCURSO
DOI:
https://doi.org/10.69609/2176-8625.2026.v32.n2.a4192Resumo
Este artigo analisa duas pixações específicas na cidade de Belém, Pará, como formas de comunicação visual e intervenção urbana. A partir de um estudo descritivo-exploratório e documental, de abordagem qualitativa, examinam-se as inscrições “Amor não é posse” (Bairro do Marco) e “MONA REAGE” (Bairro de Nazaré). O referencial teórico apoia-se nos conceitos bakhtinianos de carnavalização e cronotopo, que permitem interpretar as pixações como atos de inversão simbólica da ordem estabelecida e como marcas que condensam tempo e espaço social. Complementa-se a análise com a análise verbo-visual proposta por Discini (2019), explorando a integração sinestésica entre o texto verbal, sua materialidade gráfica, o suporte urbano e seu contexto. O artigo discute como essas pixações específicas, para além de sua aparente simplicidade, funcionam como enunciados carnavalizados que provocam reflexão, e como seus cronotopos revelam tensões sociais e de gênero inscritas na paisagem da cidade. Conclui-se que tais intervenções constituem-se em atos comunicativos complexos, que ressignificam os muros e dialogam criticamente com o entorno urbano e social de Belém.




